quarta-feira, 4 de março de 2009
Marretas
Se comunicam pela internet, marcando os ataques.
Seus alvos são grandes edificações abandonadas:
Galpões, pátios, fábricas.
Cada um com a sua marreta
e a sua muda de árvore .
A ação deve ser rápida.
Derrubam paredes e quebram o chão,
e assim que encontram a terra
plantam as mudas.
Quando dá certo,
depois de 4 ou 5 anos já estão passeando pelas sombras da mata.
Às vezes as mudas são arrancadas pelos donos do terreno
e o local é novamente cimentado.
Mas depois de alguns meses eles voltam.
São como as plantas - sua maior inspiração:
esperam em semente
escondendo-se na terra e
sub-repticiamente se espalham
pela polinização sem fio
da natureza
até germinarem, enraizarem, crescerem
e racharem as paredes
e levantarem o chão.
Com o tempo seus atos ficam mais ousados.
Já não são locais abandonados.
As marretas quebram ruas,
pátios de shoppings
e prédios de vidro azul.
A polícia prende alguns,
e seguranças armados matam outros tantos.
Mas o movimento dos "Marretas"
já tomou conta do globo.
Um globo que, pouco a pouco,
vai tornando a ser o que era.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Marchinha de Carnaval: "Presidente da Cor da Gente"
Um jeito da vida melhorar
Um presidente, da cor da gente
É mais decente, mas vou lhe perguntar
Se é possível que os States,
Devolva um pouco do que tomaram de cá
Refrão:
Obá-Mamá, Obá!
Eu vou mamar de volta
O quê me tomaram de cá,
Obá-Mamá, Obá!
É um Barack
O Oba-Mamá de lá!
Desembucha !
Ou durante o carnaval, nas ruas de Barão Geraldo!
Vou vestido de Barack Obama, é claro.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Poesia da Semana
assumidamente assim
colhido do maço de tanto assunto
bati-lhe o machado no cepo.
Talvez sintam-lhe o prurido
de início – é cedo, mas
ansiava-me aziago
por tê-lo. Passa-me assim
este medo – melhor:
foi um modo de sê-lo.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Poesia da Semana
Três Poemas Feitos Especificamente Para Você Ficar Para Sempre Comigo.
I.
Um homem passou pelo caminho
e – paf !- chutou uma pedrinha
que estava ali
a duzentos e cinqüenta e seis anos
no mesmo local.
A pedrinha rolou dali – tictictic...-
um palmo e meio para acolá.
A bolinha de sombra
que a pedrinha fazia no chão – tictictic... –
rolou junto, um pouco atrasada.
Do lado de cá da pedrinha
o pozinho do chão – puf-puf ! –
arredou mais pra cá.
Do lado de lá da pedrinha
o pozinho do chão – puf-puf ! –
arredou mais pra lá.
E depois do pó,
eu.
Só.
II.
È ridículo, um cara como eu
- o maço de cigarros,
a descrença em cima da mesa –
apaixonado.
Uma pessoa como eu,
aqui, sentada na mesa.
É ridículo.
Logo eu:
coração,
pôr-do-sol,
até flor.
A-pai-xo-na-do.
Um maço de descrenças
e acendo um cigarro.
III.
Este terceiro e último poema
é pra pedir chorando:
fica pra sempre comigo.
Este terceiro poema é bilhete de seqüestrador,
é carta de suicida,
é nota promissória
de chantagem emocional.
Este último poema
é porque eu queria escrever:
fica pra sempre comigo
e grifar.
Este poema, terceiro e último,
é muito aflito,
é um apelo ao céu
do papel.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Poesia da Semana
eu tentei pensar só no cafuné
e ver os outros pensamentos passarem
e ser somente minha mão triscando com a unha
com os dedos se perdendo no mato
Eu até imaginei que o Cafuné
era um negro pequeno
de calção,
esse calção dizia exatamente tudo:
um calção velho de futebol,
o calção da infância de qualquer menino brasileiro,
o mesmo calção que também tira o pudor da nudez do índio,
qualquer calção.
Eu estava com saudade sua!, Cafuné, homem brasileiro,
menino do mundo.
Mas olha só! Tanto pensamento em mim que devia ser
só uma mão a fazer cafuné
na mata dos cabelos.
Mesmo com tanto pensamento me queimando a cabeça,
inclusive sobre cabeças,
cafuné em outras cabeças,
cafunés,
inclusive dando cafuné
achando que precisava receber mais do que dar,
tanto problema no começo do cafuné,
mas eu tinha confiança nele:
paciente,
feito lentamente,
carregava a gente até...
Mas tanto problema,
será que fiquei mesquinho até pra carinho?
Não! Repensei, cafunei:
Persistindo suave com os dedos raspando;
Agradando feito grade das unhas arando;
Mantendo a munheca quando catava, cavucando,
Cabelo confuso, couro, coça... cabeludo.
Não disse? Veio!
Persistido desde o começo,
quando já tinha dele me esquecido,
o prêmio do carinho,
o agradável que a si nos vem sozinho:
- o sono.
Desde lentamente
sabia-se que ele viria.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Poesia da Semana
Está acabado
quem não diz:
- eu tentei,
deu errado.
Está começado
este poema:
para você ver que só não está certo
aquilo que na rima empena.
Só é uma espécie de solução
aquilo que está em extinção:
é brega mas é verdade, fazer o que?
É o seu coração.
Continua, pede perdão a quem fica:
e leva o resto de roldão.
Comemora, utiliza o tropeço de agora,
firma o refrão.
Toca a bola,
só é sacanagem
aquilo que não teve a chance da reciclagem,
é lixão.
É brega mas é o seu coração.
Tem caco é imundo aterrado
é um charco atolado
é o resto do entulho
é garampo redobrado badulaque
trinta e três e bagulho
dentro do peito - batalhão.
Não marcha simplesmente:
é preciso esse enorme pedaço
de solidão:
-- Você quer?
-- Não
Deu errado mas é solução.
Cavucando no lixo,
é brega, mas se acha uma flor.
Ofereça sua orelha pra por.