quinta-feira, 7 de maio de 2009

Poesias da Semana

*


Seiva-se quem puder
Antes que se seife


*


Eu escrevo agora
10 da manhã
quinta feira
porque sim.

É preciso decretar
nossas vontades
contra a libertinagem
das regras.

Decreto que esse estranho espaço aqui
que não existe
mas é como um quarto
o qual se estranha depois de uma longa viagem
ou como uma tarde
a qual se prestou atenção
esse espaço
tem dessas coisas que só tem aqui:
instantes como o da seiva
dessa árvore enorme que me deparei
e senti minhas mãos agalhando-se
e o que senti também
foi que a seiva se me sobrou
fazendo cair lágrimas,
muitíssimas.

Só nesse estranho tempo
dessa leitura perdida
num espaço sem nada
só com o nosso interior
tentando pulsar algum calor
através da lente fria
desse quadrado olho de vidro.

Mas vasculhem:
há visgo de bits
mesclando-se por alucinógenas
e intermitentes
procuras de afeto
brotanto pelas gargantas do google.

Procurem que nos encontramos
neste reduzidissíssimo ponto de tempo
que é esta piscadela.
Entre o abrir e o fechar dela:
receba-nos,
tela.

terça-feira, 10 de março de 2009

Poesia da Semana

Chove. É a primeira vez de sempre.

Que felicidade - chove às favas, chove quente.

É o ventre entregue ao que recende

do céu ao chão.

É graça, galharda,

tac-tac-tac; florindo nas calhas.

É LH pra caralho

picotando cleck-cleck nos lábios

petriclara – dos pés aos telhados.

Grandiloqüente (tia-avó prima parente)

mas aqui, mana presente

no quintal em CH.

Chuva – vem e fica.

Velha desabrida

fazendo um chá.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Marretas

Geralmente são grupos enormes de 250, até 500 pessoas.
Se comunicam pela internet, marcando os ataques.
Seus alvos são grandes edificações abandonadas:
Galpões, pátios, fábricas.
Cada um com a sua marreta
e a sua muda de árvore .
A ação deve ser rápida.

Derrubam paredes e quebram o chão,
e assim que encontram a terra
plantam as mudas.

Quando dá certo,
depois de 4 ou 5 anos já estão passeando pelas sombras da mata.

Às vezes as mudas são arrancadas pelos donos do terreno
e o local é novamente cimentado.

Mas depois de alguns meses eles voltam.
São como as plantas - sua maior inspiração:
esperam em semente
escondendo-se na terra e
sub-repticiamente se espalham
pela polinização sem fio
da natureza
até germinarem, enraizarem, crescerem
e racharem as paredes
e levantarem o chão.

Com o tempo seus atos ficam mais ousados.
Já não são locais abandonados.
As marretas quebram ruas,
pátios de shoppings
e prédios de vidro azul.

A polícia prende alguns,
e seguranças armados matam outros tantos.
Mas o movimento dos "Marretas"
já tomou conta do globo.

Um globo que, pouco a pouco,
vai tornando a ser o que era.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Marchinha de Carnaval: "Presidente da Cor da Gente"

Na América vou procurar
Um jeito da vida melhorar
Um presidente, da cor da gente
É mais decente, mas vou lhe perguntar
Se é possível que os States,
Devolva um pouco do que tomaram de cá

Refrão:

Obá-Mamá, Obá!
Eu vou mamar de volta
O quê me tomaram de cá,

Obá-Mamá, Obá!
É um Barack
O Oba-Mamá de lá!

Desembucha !

Interessados em conhecer a melodia da marchinha, entrar em contato pelo comentário que eu telefono.

Ou durante o carnaval, nas ruas de Barão Geraldo!

Vou vestido de Barack Obama, é claro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Poesia da Semana

Cometi este começo
assumidamente assim
colhido do maço de tanto assunto
bati-lhe o machado no cepo.

Talvez sintam-lhe o prurido
de início – é cedo, mas
ansiava-me aziago
por tê-lo. Passa-me assim
este medo – melhor:

foi um modo de sê-lo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Poesia da Semana

Três Poemas Feitos Especificamente Para Você Ficar Para Sempre Comigo.

I.

Um homem passou pelo caminho

e – paf !- chutou uma pedrinha

que estava ali

a duzentos e cinqüenta e seis anos

no mesmo local.

A pedrinha rolou dali – tictictic...-

um palmo e meio para acolá.

A bolinha de sombra

que a pedrinha fazia no chão – tictictic... –

rolou junto, um pouco atrasada.

Do lado de cá da pedrinha

o pozinho do chão – puf-puf ! –

arredou mais pra cá.

Do lado de lá da pedrinha

o pozinho do chão – puf-puf ! –

arredou mais pra lá.

E depois do pó,

eu.

Só.

II.

È ridículo, um cara como eu

- o maço de cigarros,

a descrença em cima da mesa –

apaixonado.

Uma pessoa como eu,

aqui, sentada na mesa.

É ridículo.

Logo eu:

coração,

pôr-do-sol,

até flor.

A-pai-xo-na-do.

Um maço de descrenças

e acendo um cigarro.

III.

Este terceiro e último poema

é pra pedir chorando:

fica pra sempre comigo.

Este terceiro poema é bilhete de seqüestrador,

é carta de suicida,

é nota promissória

de chantagem emocional.

Este último poema

é porque eu queria escrever:

fica pra sempre comigo

e grifar.

Este poema, terceiro e último,

é muito aflito,

é um apelo ao céu

do papel.