Como quem sente a fisgada
antes do peixe
me senti por um momento apto
ao ato desta captação:
entre eu e você etrevisto
ou que não existe, mas insisto,
entre você e eu, concebido.
Se é sutil na vida
que dirá entre bits ?
Acredite.
Acho que você até já disse,
elas sempre sabem antes,
seus mapas tem mais alcance,
quem enxerga linhas do destino
são ciganas, não ciganos...
Mas desiste,
se procura saber e só, somente.
O que tem fim se desmente
e eu comecei antes do início - lembra?
Estranho e relapso,
este fato,
só sugestionado
como um gato pardo
de relance
entrevisto
de instante em instante
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Com Sono
...as palavras são de uma matéria comestível. Não sei explicar,
dá as vezes sem querer esse negócio em mim:
é tipo um fenômeno mesmo.
Eu falo as palavras devagar e elas se materializam na minha
boca, dá vontade de mastigar.
Na verdade eu mastigo, não é matafórico, eu sinto é físico
na minha boca. É gostoso - tem haver com estar com sono, eu acho.
Consegui provocar a sensação, pensei que não conseguiria,
tem palavras melhor de comer, que são massudas, comi
"pantomima" agora, é boa. Pensei que "pudim" seria boa,
mas não, acho que essa sensação não gosta de ser óbvia.
"Óbvio" é bom também, mas fica um pouco magro no final,
- é óbvio.
dá as vezes sem querer esse negócio em mim:
é tipo um fenômeno mesmo.
Eu falo as palavras devagar e elas se materializam na minha
boca, dá vontade de mastigar.
Na verdade eu mastigo, não é matafórico, eu sinto é físico
na minha boca. É gostoso - tem haver com estar com sono, eu acho.
Consegui provocar a sensação, pensei que não conseguiria,
tem palavras melhor de comer, que são massudas, comi
"pantomima" agora, é boa. Pensei que "pudim" seria boa,
mas não, acho que essa sensação não gosta de ser óbvia.
"Óbvio" é bom também, mas fica um pouco magro no final,
- é óbvio.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Poesias da Semana
*
Seiva-se quem puder
Antes que se seife
*
Eu escrevo agora
10 da manhã
quinta feira
porque sim.
É preciso decretar
nossas vontades
contra a libertinagem
das regras.
Decreto que esse estranho espaço aqui
que não existe
mas é como um quarto
o qual se estranha depois de uma longa viagem
ou como uma tarde
a qual se prestou atenção
esse espaço
tem dessas coisas que só tem aqui:
instantes como o da seiva
dessa árvore enorme que me deparei
e senti minhas mãos agalhando-se
e o que senti também
foi que a seiva se me sobrou
fazendo cair lágrimas,
muitíssimas.
Só nesse estranho tempo
dessa leitura perdida
num espaço sem nada
só com o nosso interior
tentando pulsar algum calor
através da lente fria
desse quadrado olho de vidro.
Mas vasculhem:
há visgo de bits
mesclando-se por alucinógenas
e intermitentes
procuras de afeto
brotanto pelas gargantas do google.
Procurem que nos encontramos
neste reduzidissíssimo ponto de tempo
que é esta piscadela.
Entre o abrir e o fechar dela:
receba-nos,
tela.
Seiva-se quem puder
Antes que se seife
*
Eu escrevo agora
10 da manhã
quinta feira
porque sim.
É preciso decretar
nossas vontades
contra a libertinagem
das regras.
Decreto que esse estranho espaço aqui
que não existe
mas é como um quarto
o qual se estranha depois de uma longa viagem
ou como uma tarde
a qual se prestou atenção
esse espaço
tem dessas coisas que só tem aqui:
instantes como o da seiva
dessa árvore enorme que me deparei
e senti minhas mãos agalhando-se
e o que senti também
foi que a seiva se me sobrou
fazendo cair lágrimas,
muitíssimas.
Só nesse estranho tempo
dessa leitura perdida
num espaço sem nada
só com o nosso interior
tentando pulsar algum calor
através da lente fria
desse quadrado olho de vidro.
Mas vasculhem:
há visgo de bits
mesclando-se por alucinógenas
e intermitentes
procuras de afeto
brotanto pelas gargantas do google.
Procurem que nos encontramos
neste reduzidissíssimo ponto de tempo
que é esta piscadela.
Entre o abrir e o fechar dela:
receba-nos,
tela.
terça-feira, 10 de março de 2009
Poesia da Semana
Chove. É a primeira vez de sempre.
Que felicidade - chove às favas, chove quente.
É o ventre entregue ao que recende
do céu ao chão.
É graça, galharda,
tac-tac-tac; florindo nas calhas.
É LH pra caralho
picotando cleck-cleck nos lábios
petriclara – dos pés aos telhados.
Grandiloqüente (tia-avó prima parente)
mas aqui, mana presente
no quintal em CH.
Chuva – vem e fica.
Velha desabrida
fazendo um chá.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Marretas
Geralmente são grupos enormes de 250, até 500 pessoas.
Se comunicam pela internet, marcando os ataques.
Seus alvos são grandes edificações abandonadas:
Galpões, pátios, fábricas.
Cada um com a sua marreta
e a sua muda de árvore .
A ação deve ser rápida.
Derrubam paredes e quebram o chão,
e assim que encontram a terra
plantam as mudas.
Quando dá certo,
depois de 4 ou 5 anos já estão passeando pelas sombras da mata.
Às vezes as mudas são arrancadas pelos donos do terreno
e o local é novamente cimentado.
Mas depois de alguns meses eles voltam.
São como as plantas - sua maior inspiração:
esperam em semente
escondendo-se na terra e
sub-repticiamente se espalham
pela polinização sem fio
da natureza
até germinarem, enraizarem, crescerem
e racharem as paredes
e levantarem o chão.
Com o tempo seus atos ficam mais ousados.
Já não são locais abandonados.
As marretas quebram ruas,
pátios de shoppings
e prédios de vidro azul.
A polícia prende alguns,
e seguranças armados matam outros tantos.
Mas o movimento dos "Marretas"
já tomou conta do globo.
Um globo que, pouco a pouco,
vai tornando a ser o que era.
Se comunicam pela internet, marcando os ataques.
Seus alvos são grandes edificações abandonadas:
Galpões, pátios, fábricas.
Cada um com a sua marreta
e a sua muda de árvore .
A ação deve ser rápida.
Derrubam paredes e quebram o chão,
e assim que encontram a terra
plantam as mudas.
Quando dá certo,
depois de 4 ou 5 anos já estão passeando pelas sombras da mata.
Às vezes as mudas são arrancadas pelos donos do terreno
e o local é novamente cimentado.
Mas depois de alguns meses eles voltam.
São como as plantas - sua maior inspiração:
esperam em semente
escondendo-se na terra e
sub-repticiamente se espalham
pela polinização sem fio
da natureza
até germinarem, enraizarem, crescerem
e racharem as paredes
e levantarem o chão.
Com o tempo seus atos ficam mais ousados.
Já não são locais abandonados.
As marretas quebram ruas,
pátios de shoppings
e prédios de vidro azul.
A polícia prende alguns,
e seguranças armados matam outros tantos.
Mas o movimento dos "Marretas"
já tomou conta do globo.
Um globo que, pouco a pouco,
vai tornando a ser o que era.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Marchinha de Carnaval: "Presidente da Cor da Gente"
Na América vou procurar
Um jeito da vida melhorar
Um presidente, da cor da gente
É mais decente, mas vou lhe perguntar
Se é possível que os States,
Devolva um pouco do que tomaram de cá
Refrão:
Obá-Mamá, Obá!
Eu vou mamar de volta
O quê me tomaram de cá,
Obá-Mamá, Obá!
É um Barack
O Oba-Mamá de lá!
Um jeito da vida melhorar
Um presidente, da cor da gente
É mais decente, mas vou lhe perguntar
Se é possível que os States,
Devolva um pouco do que tomaram de cá
Refrão:
Obá-Mamá, Obá!
Eu vou mamar de volta
O quê me tomaram de cá,
Obá-Mamá, Obá!
É um Barack
O Oba-Mamá de lá!
Desembucha !
Interessados em conhecer a melodia da marchinha, entrar em contato pelo comentário que eu telefono.
Ou durante o carnaval, nas ruas de Barão Geraldo!
Vou vestido de Barack Obama, é claro.
Ou durante o carnaval, nas ruas de Barão Geraldo!
Vou vestido de Barack Obama, é claro.
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