assumidamente assim
colhido do maço de tanto assunto
bati-lhe o machado no cepo.
Talvez sintam-lhe o prurido
de início – é cedo, mas
ansiava-me aziago
por tê-lo. Passa-me assim
este medo – melhor:
foi um modo de sê-lo.
Talvez sintam-lhe o prurido
de início – é cedo, mas
ansiava-me aziago
por tê-lo. Passa-me assim
este medo – melhor:
foi um modo de sê-lo.
Três Poemas Feitos Especificamente Para Você Ficar Para Sempre Comigo.
I.
Um homem passou pelo caminho
e – paf !- chutou uma pedrinha
que estava ali
a duzentos e cinqüenta e seis anos
no mesmo local.
A pedrinha rolou dali – tictictic...-
um palmo e meio para acolá.
A bolinha de sombra
que a pedrinha fazia no chão – tictictic... –
rolou junto, um pouco atrasada.
Do lado de cá da pedrinha
o pozinho do chão – puf-puf ! –
arredou mais pra cá.
Do lado de lá da pedrinha
o pozinho do chão – puf-puf ! –
arredou mais pra lá.
E depois do pó,
eu.
Só.
II.
È ridículo, um cara como eu
- o maço de cigarros,
a descrença em cima da mesa –
apaixonado.
Uma pessoa como eu,
aqui, sentada na mesa.
É ridículo.
Logo eu:
coração,
pôr-do-sol,
até flor.
A-pai-xo-na-do.
Um maço de descrenças
e acendo um cigarro.
III.
Este terceiro e último poema
é pra pedir chorando:
fica pra sempre comigo.
Este terceiro poema é bilhete de seqüestrador,
é carta de suicida,
é nota promissória
de chantagem emocional.
Este último poema
é porque eu queria escrever:
fica pra sempre comigo
e grifar.
Este poema, terceiro e último,
é muito aflito,
é um apelo ao céu
do papel.
Está acabado
quem não diz:
- eu tentei,
deu errado.
Está começado
este poema:
para você ver que só não está certo
aquilo que na rima empena.
Só é uma espécie de solução
aquilo que está em extinção:
é brega mas é verdade, fazer o que?
É o seu coração.
Continua, pede perdão a quem fica:
e leva o resto de roldão.
Comemora, utiliza o tropeço de agora,
firma o refrão.
Toca a bola,
só é sacanagem
aquilo que não teve a chance da reciclagem,
é lixão.
É brega mas é o seu coração.
Tem caco é imundo aterrado
é um charco atolado
é o resto do entulho
é garampo redobrado badulaque
trinta e três e bagulho
dentro do peito - batalhão.
Não marcha simplesmente:
é preciso esse enorme pedaço
de solidão:
-- Você quer?
-- Não
Deu errado mas é solução.
Cavucando no lixo,
é brega, mas se acha uma flor.
Ofereça sua orelha pra por.É uma grande preparação,
vê-se pelas casas
que apesar de estarem como sempe
pasmam de imobilidade
pela primeira vez você ficou curioso
para saber o que se passa dentro delas,
são pequenos mundos
de inviolabilidade e segredo
é óbvio que tudo vai mudar
dentro de instantes
que se refazem em vento
céu negro
e eletrecidade impalpável
é óbvio que tudo vai mudar,
você já teve dezesseis anos de idade
e os mistérios do amor
e da morte
estão prestes a irromper
de sua grosa casca de penumbra
é óbvio que tudo vai mudar,
é o dia do natal,
quem há de nascer agora
para desfazer esse caminho torto
apercorrido até aqui pelo futuro
mas eis que a chuva não vem,
é a sua vida que agora pasma
de imobilidade
e o cheiro daquilo que foi descoberto
- que estava nos dedos, um cheiro acre
de amor e água do mar,
e o gosto das lágrimas
e o brilho dos olhos curiosos
e a pureza do riso presente -
tudo isso está à beira de ser esquecido
é o tempo presente – tudo que muda
já mudou
menos a solidão
do casal que já teve os filhos
e a novidade deles
não é nem mais lembrança
do cheiro daquilo que passou
é exatamente a chuva que não vem,
o dia do natal
a inviolabilidade das casas
a grande preparação
tudo virado em fumaça
na ponta quente do cigarro
nas linhas do que resta
desse mais um fraseado