quinta-feira, 8 de julho de 2010

Poesia da Semana

Vou ser direto e dizer

tudo numa única palavra:

eu te amo muito muito

para todo o sempre

e todos os infinitos.

Chega de me enrolar, eu quero

uma resposta definitiva mesmo que

não seja assunto encerrado pois

o homem sempre se agarra

a uma última esperança.

Cansa esperar e eu esperei

muito mas portanto

não estou cansado até

parece que acordei agora

para este amor.

Eu estou disposto a tudo

com toda a violência

que eu nunca seria

capaz de fazer mal à você.

É mentira o trabalho

na cartomante eu lhe devolvi

a foto e nunca consegui

pedacinho da sua unha – a inveja

quer acabar com o nosso amor.

É mentira o que a irmã da

sua amiga disse sobre eu

de conversa com a Jurema

na quermesse – a inveja

quer acabar com o nosso amor.

É mentira que eu voltei a fumar

depois do último porre por causa

da depressão depois da absitinência

dos remédios – a inveja

quer acabar com o nosso amor.

Por favor diga sim ou não.

Ou talvez

- também pode me dar

a resposta depois.

Meu sonho é você gorda

na cozinha da casa em que

a gente vai morar – eu quero

mesmo é você gorda pois

é mais de você para amar.

Eu briguei ontem na rua

por você e saiu sangue vermelho

vermelho da cor do coração

com borda luminosa que eu

comprei para lhe dar como

prova absoluta do meu

divino amor.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

poesia da semana

Peito aberto,
asas abertas
sobre um
precipícaro.

Mas antes do voo,
do sonho abismal,
do mar com suas lágrimas,
seu longe e seu sal

Há um pai,
solidão de ilha
e um filho.

Quanto deste gesto
é lamento:
no céu
afagar o sol
ou o afã
do afogamento?

domingo, 6 de setembro de 2009

Poesia da Semana

Quase não se enxerga

na rua a pele grossa,

a pessoa é saliência

na calçada ou poça.


Quase não se enxergam

a pessoa e poças,

a calçada é saliência

da rua e pele grossas.


Negro, negro, negro

Como a luz do sol

Arco-íris no asfalto

Mancha de óleo no farol


Negro, negro, negro

Como a luz do sol

Mancha de óleo no asfalto

Arco-íris no farol.

Desembucha !

A poesia acima surgiu na minha cabeça como letra de música. A quem puser a melodia, favor mostrar-me o resultado.

domingo, 5 de julho de 2009

Poesia da Semana

No recôndito do meio imenso
dentro do Brasil funil
se escondem-se várias palavras.
Vai que talvez venham da pedra
dum bloco maciço, chapadisso,
que se arvora a ser parado
em sendo sempre ali:
reluzindo seco.

Um baú de guardados
donde nasce vocabulário
e não só modos, modismos
- coisas além dos ritmos -
lá há radicais raríssimos.
Recôndito.
Diamantismos.

Novas formas de ser negro
(que liberdade imensa escrever)
brinquedo sempre novo brinquedo
pedra quadrada paredões imensos
feito jogo de montar
Quebra-cabeça de idéias
e de formas naturais
(deixei meu coração lá)
a vida nova grande imensa
como a da fumaça
rasgando o meu peito
abrindo-se
placa tectônica
vale.

Lá pude ver as placas tectônicas
a terra desabrocha
nos seus ardumes interiores
- os rios!

Os rios.

Até agora falava de pedras
os rios me dão imediatamente vontade de chorar
pois é como se as lágrimas
pudessem ter cor
e eu pudesse chorar azul,
como se de um rosto
escorresse uma lágrima
de um translúcido amarelo-âmbar.

E tudo isso tem a ver com negro.
É tudo negro
descaradamente negro
são negras
produzindo todas as cores
descobrindo áfricas
cores
nos detalhes ensolarados
cores
novas estruturas
cores
segredos compreendidos
cores
mecanismos de África
cores.

domingo, 28 de junho de 2009

Poesia da Semana - Versão


Parem todos os relógios, que os telefones sejam cortados,

Dêem um osso suculento para o cachorro parar de latir,

Silenciem os pianos e com tambores abafados

Tragam o caixão, deixem os que sofrem vir.


Deixem aviões gemendo e sobrevoando nossos chapéus

Rabiscando a mensagem “Ele está morto” no céu

Coloquem arcos de crepe em volta do pescoço branco das pombas,

E luvas de algodão pretas para os policiais em sua ronda.


Ele era meu Leste, meu Oeste, meu Norte e meu Sul

Minha semana de trabalho e um domingo azul

Meu meio dia e meia noite, minhas conversas e as canções que escutei

Eu pensei que o amor durasse para sempre: eu me enganei


As estrelas não são mais necessárias, podem tirá-las,

Deixem que o sol se desmanche e a lua podem apagá-la,

Esvaziem o oceano e varram a floresta

Porque agora de bom nada mais resta.


Versão de Guga Cacilhas para a Parte I de "Two Songs For Hedli Anderson - W.H. Alden


TWO SONGS FOR HEDLI ANDERSON
in
Selected Poems of W.H. Auden
by W. H. Auden
Vintage


I

Stop all the clocks, cut of the telephone,

Prevent the dog from barking with a juicy bone,

Silence the pianos and with muffled drum

Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes cricle moaning overhead

Scribbling on the sky the message He is Dead,

Put crepe bows round the white necks of the public doves,

Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,

My working week and my Sunday rest,

My noon, my midnight, my talk, my song;

I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one:

Pack up the moon and dismantel the sun;

Put away the ocean and sweep up the wood.

For nothing now can ever come to any good.


Leia a parte II em poets.org




segunda-feira, 1 de junho de 2009

Poesia da Semana

Como quem sente a fisgada
antes do peixe
me senti por um momento apto
ao ato desta captação:
entre eu e você etrevisto
ou que não existe, mas insisto,
entre você e eu, concebido.

Se é sutil na vida
que dirá entre bits ?
Acredite.

Acho que você até já disse,
elas sempre sabem antes,
seus mapas tem mais alcance,
quem enxerga linhas do destino
são ciganas, não ciganos...

Mas desiste,
se procura saber e só, somente.
O que tem fim se desmente
e eu comecei antes do início - lembra?

Estranho e relapso,
este fato,
só sugestionado
como um gato pardo
de relance
entrevisto
de instante em instante